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O Mundial e os Direitos Humanos

O Mundial de 2022, que está a decorrer no Catar, tem sido ofuscado por várias polémicas, nomeadamente a questão dos Direitos Humanos. Por esta razão, alguns líderes e chefes de Estado de todo o mundo rejeitaram marcar presença no campeonato. Todavia, se por um lado é possível enumerar os países que não estarão representados no país do Golfo Pérsico, por outro é impossível apontar aqueles que terão chefes de Estado e delegações a apoiar, dado que a lista é bem maior. Incluído nesta lista está Portugal, que estará representado por três líderes do poder político.

A quase total ausência dos líderes, maioritariamente europeus, deve-se às inúmeras polémicas que têm ofuscado o Mundial. Para além da discriminação da mulher e da criminalização da homossexualidade, a violação dos Direitos Humanos está no cerne das contestações, já que se estima que milhares de trabalhadores migrantes tenham morrido na construção das dezenas de infraestruturas desenhadas para o campeonato.

Mas, se por um lado vários líderes têm feito questão de se demarcarem deste mundial e de anunciarem o seu boicote, outros têm preferido manter-se em silêncio e outros já têm os bilhetes para o Catar.

A lista destes últimos é bem maior e entre eles está Portugal, que estará representado por várias figuras oficiais. Apesar dos apelos de alguns partidos, Marcelo Rebelo de Sousa marcou presença no primeiro jogo da seleção portuguesa.

A polémica em torno da ida de Marcelo Rebelo de Sousa ao Catar ganhou força na semana passada, depois de o presidente da República ter sugerido esquecer a questão dos direitos humanos e focar as atenções na seleção nacional de futebol. “O Catar não respeita os Direitos Humanos. Toda a construção dos estádios e tal…, mas, enfim, esqueçamos isto. É criticável, mas concentremo-nos na equipa”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

Perante as críticas, o presidente da República viu-se na obrigação de esclarecer e ressalvou que pretende falar de direitos humanos. “Vou pela seleção nacional”, insistiu Marcelo.

António Costa também alinhou com o discurso de Marcelo e afirmou que vai ao Catar apoiar a seleção e não ser cúmplice do regime daquele país. “Quando formos lá, não vamos seguramente apoiar o Catar, o regime do Catar, a violação dos Direitos Humanos e a discriminação das mulheres. Quando formos lá, vamos apoiar a seleção nacional”, disse o primeiro-ministro.

Já do outro lado do Atlântico, a polémica da violação dos Direitos Humanos no Mundial não teve qualquer eco. Possíveis boicotes à participação no campeonato por parte dos EUA nunca estiveram em cima da mesa. O secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, foi até ao Catar para assistir ao jogo da equipa norte-americana frente ao País de Gales e irá aproveitar a visita para manter várias cimeiras bilaterais para estreitar os laços entre os EUA e o Catar.


As autoridades do Catar criticaram a “hipocrisia” e lamentaram a “politização” do evento. O presidente da FIFA também acusou a Europa de racismo e “pura hipocrisia” pelas acusações de exploração laboral de imigrantes no país.

Mas a questão é que foram realmente desrespeitados os direitos humanos. “Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos”. É o que se pode ler no artigo 4º da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Os abusos verificados no decorrer da preparação do Mundial 2022, no Qatar, porém, com um desvalorizar da vida, da dignidade, da liberdade e da segurança pessoal dos trabalhadores migrantes envolvidos na construção de estádios e das respetivas famílias, constituíram um claro desrespeito por esse artigo 4º da Declaração Universal dos Direitos Humanos.


Em 2021, uma investigação do jornal britânico The Guardian concluiu que mais de 6500 trabalhadores da Índia, Paquistão, Nepal, Bangladesh e Sri Lanka morreram no Catar desde que o país se prepara para receber o campeonato do mundo de futebol. O jornal estima mesmo que, nos últimos 12 anos, cerca de 12 trabalhadores migrantes tenham morrido em cada semana.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) diz que morreram 50 trabalhadores em 2020, mas a Amnistia Internacional garante que o número de mortes ascende os 15 mil.

O desrespeito que levou a que a MEO se associasse à Amnistia Internacional numa campanha na qual pretende sensibilizar os portugueses para esse que é um dos pilares fundamentais da Humanidade: o respeito pelos Direitos Humanos.

‘Não esquecemos os Direitos Humanos’ é o mote desta campanha, que está já a ser difundida na TV, imprensa, rádio e digital e que estará no ar até 18 de dezembro, data da final do Mundial.

A campanha pretende relevar o contexto de quem viu os seus direitos humanos violados para que a realização do evento pudesse ser uma realidade e a qual uma camisola icónica tem o papel principal.

O vídeo da campanha começa com uma criança a dar toques numa bola de futebol, num sinal de esperança de um futuro melhor, onde os direitos do ser humano são respeitados por todos, independentemente da sua etnia, idade, género ou geografia. Uma criança que veste uma camisola amarela inspirada nos coletes envergados pelos trabalhadores do Qatar. Uma camisola que, nas costas, traz gravado o tal artigo 4.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos e que pretende prestar tributo a todos os trabalhadores vitimados e suas famílias.

Assim, o MEO convida todos os que assim desejarem a realizarem um donativo através do botão amarelo do comando MEO, através do 761 200 000, ou do site meo.pt/amnistia, doado também o MEO um euro por cada euro doado pelos seus clientes.

Outra forma simples de manifestarmo-nos é assinando a petição que Amnistia Internacional criou para que o Catar e a FIFA compensem os trabalhadores migrantes. Assinar aqui!

É bom vermos marcas a associarem se a causas nobres, falando do problema e contribuindo para a solução. Porque todos nós contribuímos para o problema, por mais que queiramos ser parte da solução, é bom sermos todos consciente e humildes dessa visão. Sejamos sempre por ser melhores e incentivemos outros a juntarem e não a se afastarem. Juntos somos melhores. Todos pelos direitos humanos, pelo amor, por todos os géneros, por todos!

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